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Estradas sustentáveis: ligar habitats através da plantação de árvores

Artigos March 2024 7 min de leitura
Wide-angle view of a large woodland planting scheme with Vigilis tree guards at Broughton Hall Estate

A equipa da Vigilis Tree Shelters teve a oportunidade de visitar um dos nossos valiosos clientes florestais no coração do Norte do País de Gales no início deste mês. Pode ter chovido durante a visita, mas isso não nos tirou o ânimo! Rodeados de colinas onduladas e vales galeses, foi possível constatar em primeira mão a dedicação e a paixão de Bob e Frances no que toca à gestão das bermas das estradas nacionais e vias principais galesas.

Bob e Frances, da North and Mid Wales Trunk Road Agents (NMWTRA), partilharam os seus grandes planos, abordaram a importância da manutenção das bermas e das margens verdes das estradas ao longo das vias principais e proporcionaram uma visita guiada. Foi com agrado que se constatou que os nossos tubos de proteção Vigilis-Bio (biodegradáveis no solo e sem plástico) estão a comportar-se muito bem – resistiram ao clima galês e proporcionaram uma proteção essencial a plantas jovens autóctones de vidoeiro, aveleira e pilriteiro ao longo dos últimos dois anos.

Enquanto membros da equipa da North and Mid Wales Trunk Road Agents (NMWTRA), Bob e Frances cuidam das bermas de mais de 1 000 km de estradas nacionais, com enfoque na melhoria da biodiversidade e no reforço da presença de espécies autóctones. Trabalham afincadamente para criar vias e corredores de habitats que permitam à fauna circular livremente.

Colocaram-se-lhes algumas questões durante as deslocações entre os locais de plantação….

Como é feita a gestão das bermas ao longo das estradas nacionais?

Para cuidar das bermas:

– Faz-se a gestão da vegetação para melhorar os habitats da fauna ou proteger elementos históricos. A vegetação, como a relva, é cortada na primavera e no verão para que os utilizadores da estrada vejam melhor e disponham de um espaço seguro afastado da via. Mas procura-se, sempre que possível, não a cortar durante a época de floração das flores silvestres autóctones.

– Ligam-se bosques, sebes e prados para que os animais tenham espaços seguros onde viver, hibernar e deslocar-se de um lugar para outro.

– Inspecionam-se e gerem-se as árvores e os arbustos para garantir que não cairão e não estão doentes.

– Protege-se a fauna e a flora autóctones das espécies invasoras e gerem-se doenças nocivas como a seca do freixo.

– Plantam-se árvores e arbustos no outono e no inverno.

– Instalam-se pontos de travessia para animais, como pontes e passagens hidráulicas, para que os animais possam atravessar as estradas em segurança.

As bermas das estradas são bons habitats?

Sim, as bermas das estradas oferecem um excelente habitat à fauna porque normalmente não são perturbadas pelas pessoas. São excelentes para ligar habitats entre si, aumentar a biodiversidade e dar abrigo a algumas espécies raras.

– Os bosques e as árvores e arbustos autóctones fornecem alimento, locais de nidificação e repouso, e abrigo para aves, morcegos e leirões.

– As charnecas constituem um habitat para uma grande variedade de aves, répteis e invertebrados.

– Os prados ricos em flores acolhem uma grande diversidade de flores silvestres autóctones, como a margarida-dos-prados, e oferecem um habitat e fontes de alimento valiosas aos polinizadores e a outros invertebrados.

– As zonas rochosas e as encostas de pedregulhos são propícias aos líquenes e ao musgo, e até a alguns répteis.

Os terrenos que possuímos são monitorizados ao longo de todo o ano para identificar zonas que são importantes para a fauna. Durante os meses de verão, realizam-se levantamentos exaustivos para verificar a geometria das parcelas e as espécies presentes nas nossas bermas. Isto dá também a oportunidade de elaborar recomendações sobre os trabalhos a realizar para melhorar a biodiversidade das bermas.

Porque são necessários «corredores verdes» nas nossas redes rodoviárias?

– Plantar e manter os corredores verdes ao longo das nossas vias principais melhora a qualidade da paisagem e protege espécies vegetais e animais importantes.

– Melhora a conectividade entre habitats.

– Cria espaços para a fauna, incluindo leirões, morcegos, mochos, tritões, aves e muito mais.

– Ajuda a combater os efeitos das alterações climáticas.

– Plantar árvores autóctones ao longo das nossas estradas é uma forma natural de armazenar carbono.

– Ajudam a criar leitos de cheia e uma drenagem sustentável.

Depararam-se com algumas barreiras ou dificuldades na plantação?

Muitas vezes não há espaço suficiente nas zonas mais estreitas das margens verdes (as zonas verdes situadas entre a estrada e o limite do terreno vizinho) para plantar árvores, uma vez que tem de existir uma distância mínima de afastamento entre as estradas e as árvores para não obstruir a visibilidade dos condutores. Estão a ponderar-se outras opções, como plantar sebes ou flores silvestres nestas zonas. Por vezes encontra-se um local que parece perfeito para plantação, mas podem existir outras restrições, como a sinalização rodoviária, que tornam essas zonas inadequadas para a plantação de árvores.

Nas zonas onde é possível plantar árvores, é imprescindível utilizar tubos de proteção, pois isto não só impede que os animais que pastam comam as plantas jovens, como também evita que as equipas de manutenção ceifem ou roçem as árvores recém-plantadas.

A perceção e a sensibilização do público são importantes – procura-se aumentar a abundância de espécies autóctones, mas alguns residentes podem ser favoráveis a plantar espécies não autóctones ou não compreendem por que razão se abatem algumas árvores. A seca do freixo ou as árvores inseguras que representam um perigo para os condutores são os principais motivos de abate e replantação. É importante sensibilizar o público para que possa compreender o importante trabalho que se realiza.

Falem-nos de um projeto interessante em que tenham trabalhado recentemente.

Tem que ver com o raro morcego-de-ferradura-pequeno. Estes morcegos voam frequentemente ao longo de elementos lineares, como as linhas de árvores e sebes, pelo que, quando há aberturas entre as árvores, descem e voam rente ao solo, atravessando muitas vezes a estrada. Por isso, são suscetíveis de serem atropelados por veículos nas movimentadas estradas nacionais. Ao instalar uma estrutura semelhante a uma ponte sobre a estrada, alinhada com a copa das árvores, bem como passagens hidráulicas adequadas sob as estradas, foi possível criar rotas de travessia mais seguras para o morcego-de-ferradura-pequeno.

O que retirámos, enquanto equipa, desta visita?

A equipa da Vigilis Tree Shelters apreciou imenso conhecer a forma como Bob e Frances estão a criar corredores de habitats ao longo das estradas galesas. Foi particularmente interessante constatar que plantam árvores autóctones onde quer que seja possível. Muita gente prefere concentrar-se em grandes plantações; eles, no entanto, plantam de bom grado um punhado de árvores numa zona ao longo de uma via principal sempre que é possível, porque cada árvore conta!

Bob e Frances têm em preparação muitos planos e projetos entusiasmantes, e é um privilégio continuar a trabalhar com eles.

Notas:

A North and Mid Wales Trunk Road Agents (NMWTRA) é responsável pela gestão, manutenção e melhoria da rede rodoviária estratégica do Norte e do Centro do País de Gales em nome do governo galês. A NMWTRA funciona com base numa parceria entre as 8 autarquias do Norte e do Centro do País de Gales.

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